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Albergue de Mim

Quero mais do que linguagem do teu corpo que dança com o meu ser mudo e me faz falar. Mais do que a nudez e um lugar inóspito, mas que recebe com hospitalidade toda a fluidez. Nosso estado tão abrupto de mudança e inconstâncias que nos levam à acreditar que tudo bem essa nossa história de vai e vem. É ilusório querido, é ilusório… Quanto mais pensamos que água é limpa, mais sujamos ela. Tiramos o puro, ficamos na beirada, no raso e nos afogamos. No raso você esquece de nadar, meu bem. Você esquece de todas as aulas de natação, de respirar direito, de bater as pernas…Quando você vê já caiu pro lado, morto. Morto! Nos matamos! Mesmo com cada batida de coração acelerada, com o sangue sendo bombeado. Mesmo com a veia gritando incessantemente que temos vida. Morto. Abandonado. Ferido. Toda vez que eu grito dentro de mim e não faço nada. Quando vi já deixei de fazer aquela aula de dança, de ler livros… Eu quero tudo pra agora, anestésico com efeito que vem rápido e vai rápido embora. Embriago-me. Meu corpo ébrio de desilusões. Vomito minhas esperanças. Quando eu podia vomitar palavras, alívio. Eu sei que tenho alívio quando me conforto nelas. Quando eu esqueço todas as verdades, toda a falsa sensação do absoluto. Quando eu me abro pro teu mundo e você pro meu. Que outro ser mudo possa nos fazer falar. E então tu traga pra cá tudo, não quero mais apenas te visitar.

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Se você tiver o olhar bem atento,

Verá que sou uma moldura simples e clara.

Se você tiver os olhos pra arte,

Verá que sou mais que as expressões,

Mais que pintura,

Imagem.

Ambulante vivida de sentimentos.

Caminhante na estrada,

No vão.

No ermo.

Nado nas águas da gruta

Que desembocam no mediterrâneo.

Olhar epifánico,

Palavras errôneas.

Rabiscos,

Desenhos,

Cabanas.

 

Microfone,

Espelho.

Ouvido,

Segredos.

 

Samonete,

Keptchuda,

Habbido.

 

Pequenas memórias,

Infância,

Criança,

Te trago no peito.

Talvez a dor de perder você

seja apenas um disfarce que esconde

a verdadeira dor.

Talvez o sentimento que existe

É a mera ilusão de uma mente caótica

que se apaixona pela ideia de se apaixonar.

Ou talvez isto seja mera desculpa,

mera anedota, pra esconder que sinto.

Que sinto muito.

Um termo que me limita?

Um termo equidistante.

Seria mais que um termo?

Um termo que se faz distante.

Uma palavra que persegue…

Um sentido que se segue

ou algo que me cegue?

Roda,roda, menina!
Segue a rodopiar,
na saia longa,
na ginga,
Pra sua dor
se afastar.

Doei minha solidão. Doei com o cuidado de quem guarda um colar de pérolas brancas. Doei como o Sol que nos dá luz todos os dias. Ulisses indagou que: “Amar seria dar de presente a própria solidão um ao outro.” Será então que posso te dizer que amei? Que amei com a ternura do balançar de uma criança no colo enquanto seu pai ou mãe lhe colocam para ninar? Ou na verdade amei o fato de ter alguém a quem doar essa intensidade no peito? Fui na varanda e gritei ao universo que parasse com aquela brincadeira! Não quero mais quantificar o que sinto, o que senti… Sei lá! Mas do que adianta fugir do que está na frente e logo atrás ? Do que adianta olhar tanto pra esse horizonte e não enxergar o que para ali!? Olhei tão dentro de mim que nem se quer olhei. E aí a gente se perdeu no cruzar de esquinas. Não deu tempo de despedida, peguei meu uber e já era tarde pra dizer: “te doei todo a minha solidão e todo meu amor.”

“Isso é a coisa mais última que que pode se dar.”

Louise Corrêa

Ali dois corações,
Dando espamos no mesmo
espaço.
Coração bruto,
Coração frágil.
Da mesma cor,
com os mesmos vasos.
Terrenos férteis que
merecem ser plantados.

No verão a gente tem sede e pede sede. Quando os corpos estão suados e sentem até uma certa repulsa, nós mesmo assim queremos estar juntos no espaço. Porque a presença nos refrigera. Pedimos férias do nosso desgastante cotidiano, que usamos com coisas que pouco nos interessam e algumas vezes dançamos até ás cinco da manhã. Mesmo que fiquemos cansados…
Vemos o pôr-do-sol ás sete e pouca da noite e pedimos aos céus que nos tragam estrelas. No dia seguinte aquela chuva passageira que lava a alma, sem deixar tudo cinza. Pedimos que tenhamos grandes histórias, a gente pede, a gente faz, a gente tem sede e a gente cede o quanto puder. No hemisfério sul quando chega o verão seria o fim do ano e apenas o começo…

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