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Albergue de Mim

Você foi como Leonardo da Vinci. Estudou tudo em mim. Pena que seus estudos foram tão discrepantes e rasos. Da Vinci aprofundava. Você nada. Muitas foram as vezes que queria ser como Sócrates “o cara”, mas suas tentativas foram falhas. Teve momentos tão platônicos que fez do amor uma alegoria. Caiu no mito da caverna. Se escondeu em escombros nos quais a luz por sequer um segundo passava. Leu Nietzche, mas negou a vida. Se tornou morte todos os dias. Fez culto de pessoas e opiniões. Altar de barro. Santificações. Certezas frágeis. Uma razão que beira a irracionalidade. Medidas desiguais. Mal sabendo que a paixão se move e muitas vezes dita como se vive. Paixão que está por detrás de toda racionalidade como se esta fosse apenas marionete. Dessa vontade, desse desejo de ser muito mais.
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Você nunca foi a minha salvação e nunca será. Nunca foi o herói sem capa da minha pátria. Sempre fui eu. A grande heroína. A grande mulher. Que suportou todas as mágoas, todos os desafetos e todas as dores viscerais. Que quase vomitou as tripas naquelas madrugadas sozinhas. Sem ao menos tomar um gole de bebida. Que se curou, remendou e colocou-se pronta pra análise. Fez críticas a si mesma carregadas de amor que foi aprendendo a cultivar.
Não quero que tome partido de nada que depende apenas das minhas ações. Eu quero apenas compartilhar da alegria que é vida, compartilhar o triste, mas sem que você carregue o fardo por mim. Você não pode curar nada, se eu não quiser que cure. Eu tenho que tomar as atitudes necessárias. Eu que habito nesse corpo, eu verbo, palavra, ação. Eu, enquanto minha vida terrena durar. Você, pode ficar anos ou talvez ficar apenas dias. Sua estadia é passageira e a minha em mim mesma quase infinita.

A manu é um pedacinho do céu. Um pedaço do mar. Agito das ondas. Manu, é o doce que não enjoa. A risada boa de quando se ri com verdade. O seu próprio universo. O sol que se doa sem perder a luz e o brilho. A curiosidade. A representação das tantas perguntas sem respostas. Os questionamentos que nos despertam para como a vida é formada. Como tudo é estruturado e construído. A sede de vida. Os pequenos goles que aos poucos se tornam uma garrafa inteira já bebida. Ou que nos tornam um copo que transborda o que é puro, feliz e simples. Um lembrete do que um dia fomos, do que somos bem no fundo. Olhos. Boca. Gestos…Que ampliam o nosso amor a cada dia. Que nos dá saudade quando não tá perto. Cheiro. Colo. Soneca. A cabeça que muitas vezes encostou no nosso peito e dormiu ali serena. O presente das “Bodas de quinze anos” do meu nascimento. Gerado no ventre de alguém que só me deu amor. A pessoinha que me arrancou as lágrimas mais sinceras de felicidade. Que me reconheço. Que me faria em pedaços. Uma brabuleta azul dessas que passeiam nos estômagos dos apaixonados. Que desperta a nossa criatividade. Que nos faz criar anedotas sobre fantasmas, monstros…Que desenha um robô pra você e te faz sentir amada num daqueles dias que parece que nada vai dar certo. Que os anos passem, a ternura jamais. E a certeza desse sentimento de prima permaneça. Como diria Rubel : “Só não se esquece que eu sou parceiro (no caso aqui parceira) e sei mais” Porém, me contradizendo, talvez você saiba muito mais… Feliz Cumpleãnos Chica, Pequerrucha e Amore Mio 💜

As vezes eu não tenho nada pra dizer só isso. Silêncio. Solitude. Mas a mente é como uma sala sem móveis ou quarto, quando falo ou berro. Ecoa. Verbo. Palavra ferida. Dor. Sombra. As memórias fazem sombra na minha parede. Algumas merecem ficar penduradas e conservadas como uma construção que foi tombada. Outras não mereciam nenhuma recordação. Mas elas também fazem parte da minha casa, do meu templo. Cada gota de lágrima. Cada pingo d’água. Telhado. Buraco.Conserto. Rebocos. Fui eu que fiz. Sou eu que posso olhar com carinho pra cada parte. Que posso amar. E dizer que suportei sopros incessantes do “Grande Lobo Mal” que pode ser a vida e as pessoas. E as vezes nosso pecado é tão inocente… quantas vezes nos perdemos no meio de tudo? Quantas nos ferimos ou ferimos alguém? Pelo prazer de sustentar nossa vaidade e orgulho. Mas somos tão inocentes. Tão ignorantes. O abajur tá ali na cômoda iluminando tudo e eu não vejo. Fechamos os olhos, porque a luz é tão forte que machuca. Abdicar do conforto!? Pra quê? Eu prefiro me conformar com essa vida mais ou menos. Com esse gole barato de uma merda de cachaça. Amanhã é outro dia, nós dizemos. Outro dia vem e damos com a nossa cara de panaca na privada. ” O banheiro é o templo de todos os bêbados” Um gole de vida é bem-vindo, um gole de cerveja também. Só não vale se perder pra sempre. Ficar na mesma esquina do bar, esperando que tudo aconteça. Pedindo:”Garçom, pelo amor de Deus ouve meus lamentos?” Sei que somos demasiadamente humanos. Mas esse tempo, esse templo que é só nosso, só a gente que constrói.

Desordem. Bagunça. Meu mundo é mais caótico do que aparenta. Mistura de elementos. Cores Contrastantes. Contradições. Contradição ambulante na vida terrena. Tudo aqui tem uma certa beleza. Uma certa dor…é uma terra fértil regada de sangue dolorido. Do mesmo sangue dolorido que os meus pais foram gerados. Da mesma felicidade e paz que nos é proporcionada no meio do furacão. E mesmo que as árvores tenham sido arrancadas da raiz, mesmo que tudo voe por aí… Eu continuo aqui viva, tão viva. Com vontade de potência. Sendo, apenas nascendo todos os dias.

Quero mais do que a linguagem do teu corpo que dança com o meu ser mudo e me faz falar. Mais do que a nudez e um lugar inóspito, mas que recebe com hospitalidade toda a fluidez. Nosso estado tão abrupto de mudança e inconstâncias que nos levam à acreditar que tudo bem essa nossa história de vai e vem. É ilusório querido, é ilusório… Quanto mais pensamos que água é limpa, mais sujamos ela. Tiramos o puro, ficamos na beirada, no raso e nos afogamos. No raso você esquece de nadar, meu bem. Você esquece de todas as aulas de natação, de respirar direito, de bater as pernas…Quando você vê já caiu pro lado, morto. Morto! Nos matamos! Mesmo com cada batida de coração acelerada, com o sangue sendo bombeado. Mesmo com a veia gritando incessantemente que temos vida. Morto. Abandonado. Ferido. Toda vez que eu grito dentro de mim e não faço nada. Quando vi já deixei de fazer aquela aula de dança, de ler livros… Eu quero tudo pra agora, anestésico com efeito que vem rápido e vai rápido embora. Embriago-me. Meu corpo ébrio de desilusões. Vomito minhas esperanças. Quando eu podia vomitar palavras, alívio. Eu sei que tenho alívio quando me conforto nelas. Quando eu esqueço todas as verdades, toda a falsa sensação do absoluto. Quando eu me abro pro teu mundo e você pro meu. Que outro ser mudo possa nos fazer falar. E então tu traga pra cá tudo, não quero mais apenas te visitar.

Se você tiver o olhar bem atento,

Verá que sou uma moldura simples e clara.

Se você tiver os olhos pra arte,

Verá que sou mais que as expressões,

Mais que pintura,

Imagem.

Ambulante vivida de sentimentos.

Caminhante na estrada,

No vão.

No ermo.

Nado nas águas da gruta

Que desembocam no mediterrâneo.

Olhar epifánico,

Palavras errôneas.

Rabiscos,

Desenhos,

Cabanas.

 

Microfone,

Espelho.

Ouvido,

Segredos.

 

Samonete,

Keptchuda,

Habbido.

 

Pequenas memórias,

Infância,

Criança,

Te trago no peito.

Um termo que me limita?

Um termo equidistante.

Seria mais que um termo?

Um termo que se faz distante.

Uma palavra que persegue…

Um sentido que se segue

ou algo que me cegue?

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