Doei minha solidão. Doei com o cuidado de quem guarda um colar de pérolas brancas. Doei como o Sol que nos dá luz todos os dias. Ulisses indagou que: “Amar seria dar de presente a própria solidão um ao outro.” Será então que posso te dizer que amei? Que amei com a ternura do balançar de uma criança no colo enquanto seu pai ou mãe lhe colocam para ninar? Ou na verdade amei o fato de ter alguém a quem doar essa intensidade no peito? Fui na varanda e gritei ao universo que parasse com aquela brincadeira! Não quero mais quantificar o que sinto, o que senti… Sei lá! Mas do que adianta fugir do que está na frente e logo atrás ? Do que adianta olhar tanto pra esse horizonte e não enxergar o que para ali!? Olhei tão dentro de mim que nem se quer olhei. E aí a gente se perdeu no cruzar de esquinas. Não deu tempo de despedida, peguei meu uber e já era tarde pra dizer: “te doei todo a minha solidão e todo meu amor.”

“Isso é a coisa mais última que que pode se dar.”

Louise Corrêa