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Albergue de Mim

mês

maio 2017

Cher, désolé!

Eu preciso te dizer desculpa! Desculpa se eu não tive coragem o suficiente pra ir em frente, mas quando o passado ainda te perturba e você não permite que o tempo te ajude tudo se torna complicado…Eu não queria nos meter nessa confusão. Mas acho que meti, não é mesmo!?

Enquanto você vinha com a paz de um coração sereno e aberto, eu vinha com o caos da mitologia grega. E quando cê me tocava com delicadeza pra não cutucar a ferida aberta, eu fingia que não doía.

Querido, eu estava me curando de uma longa ressaca e nem sempre se cura uma bebendo mais. E sua bebida era boa, intensa e calma só que eu ainda não tava preparada pra tê-la no meu sistema. Agora meu corpo já não está ébrio de desilusões, tá sadio e esperando sua bebida. Só que talvez o seu não esteja e não é justo da minha parte te arrastar pra mim. Ou o tempo tenha passado tão depressa que ela já não é destinada ao meu paladar, mas de uma outra pessoa.

Cher, désolé! Fiz o melhor que pude.

Olhar epifánico,

Palavras errôneas.

Rabiscos,

Desenhos,

Cabanas.

 

Microfone,

Espelho.

Ouvido,

Segredos.

 

Samonete,

Keptchuda,

Habbido.

 

Pequenas memórias,

Infância,

Criança,

Te trago no peito.

Talvez a dor de perder você

seja apenas um disfarce que esconde

a verdadeira dor.

Talvez o sentimento que existe

É a mera ilusão de uma mente caótica

que se apaixona pela ideia de se apaixonar.

Ou talvez isto seja mera desculpa,

mera anedota, pra esconder que sinto.

Que sinto muito.

Um termo que me limita?

Um termo equidistante.

Seria mais que um termo?

Um termo que se faz distante.

Uma palavra que persegue…

Um sentido que se segue

ou algo que me cegue?

Roda,roda, menina!
Segue a rodopiar,
na saia longa,
na ginga,
Pra sua dor
se afastar.

Eu tomo remédio contra você todos os dias e sempre acho que estou bem medicada. Nunca erro dose e nunca erro o horário, mas a medicação parece se tornar falha em alguns momentos.

Tem dias que ouço o teu nome e uma onda de indiferença passa pelo corpo e logo penso que o comprimido cumpriu o seu efeito. Só que não dura e rapidamente me vêm toda amargura pelo o que causou e por essa distância entre nós. Distância entre a Freguesia e o Pechincha. Apenas alguns metros que na prática se tornam  suficientes pra me mostrar o contrário, nos mostrar o contrário, eu acho…Porque nunca se sabe o que passa no coração de um outro. A nós só nos cabe o que é nosso e nada mais. E o não saber e toda a dúvida que este gera é o que certamente mais me corrói.

Ontem, eu te vi naquele bar que sempre frequentamos. Estava com sua camisa preta, jaqueta e jeans, suas vestimentas costumeiras. Pequenas partes fluídas de você que te fazem tão sólido pra mim. Então, percebi que não adianta a quantidade que eu tome, por um bom tempo você ainda vai ser colorido e aceito o fato. O fardo. o que seja.

Quando entrarem no banheiro feminino além de verem suas pichações, encontrarão toda minha medicação na privada. E no seu tampo um rabisco de caneta: “Ela não funciona. Ela nunca funcionou.”

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