Eu tomo remédio contra você todos os dias e sempre acho que estou bem medicada. Nunca erro dose e nunca erro o horário, mas a medicação parece se tornar falha em alguns momentos.

Tem dias que ouço o teu nome e uma onda de indiferença passa pelo corpo e logo penso que o comprimido cumpriu o seu efeito. Só que não dura e rapidamente me vêm toda amargura pelo o que causou e por essa distância entre nós. Distância entre a Freguesia e o Pechincha. Apenas alguns metros que na prática se tornam  suficientes pra me mostrar o contrário, nos mostrar o contrário, eu acho…Porque nunca se sabe o que passa no coração de um outro. A nós só nos cabe o que é nosso e nada mais. E o não saber e toda a dúvida que este gera é o que certamente mais me corrói.

Ontem, eu te vi naquele bar que sempre frequentamos. Estava com sua camisa preta, jaqueta e jeans, suas vestimentas costumeiras. Pequenas partes fluídas de você que te fazem tão sólido pra mim. Então, percebi que não adianta a quantidade que eu tome, por um bom tempo você ainda vai ser colorido e aceito o fato. O fardo. o que seja.

Quando entrarem no banheiro feminino além de verem suas pichações, encontrarão toda minha medicação na privada. E no seu tampo um rabisco de caneta: “Ela não funciona. Ela nunca funcionou.”

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