Quero mais do que a linguagem do teu corpo que dança com o meu ser mudo e me faz falar. Mais do que a nudez e um lugar inóspito, mas que recebe com hospitalidade toda a fluidez. Nosso estado tão abrupto de mudança e inconstâncias que nos levam à acreditar que tudo bem essa nossa história de vai e vem. É ilusório querido, é ilusório… Quanto mais pensamos que água é limpa, mais sujamos ela. Tiramos o puro, ficamos na beirada, no raso e nos afogamos. No raso você esquece de nadar, meu bem. Você esquece de todas as aulas de natação, de respirar direito, de bater as pernas…Quando você vê já caiu pro lado, morto. Morto! Nos matamos! Mesmo com cada batida de coração acelerada, com o sangue sendo bombeado. Mesmo com a veia gritando incessantemente que temos vida. Morto. Abandonado. Ferido. Toda vez que eu grito dentro de mim e não faço nada. Quando vi já deixei de fazer aquela aula de dança, de ler livros… Eu quero tudo pra agora, anestésico com efeito que vem rápido e vai rápido embora. Embriago-me. Meu corpo ébrio de desilusões. Vomito minhas esperanças. Quando eu podia vomitar palavras, alívio. Eu sei que tenho alívio quando me conforto nelas. Quando eu esqueço todas as verdades, toda a falsa sensação do absoluto. Quando eu me abro pro teu mundo e você pro meu. Que outro ser mudo possa nos fazer falar. E então tu traga pra cá tudo, não quero mais apenas te visitar.

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