As vezes eu não tenho nada pra dizer só isso. Silêncio. Solitude. Mas a mente é como uma sala sem móveis ou quarto, quando falo ou berro. Ecoa. Verbo. Palavra ferida. Dor. Sombra. As memórias fazem sombra na minha parede. Algumas merecem ficar penduradas e conservadas como uma construção que foi tombada. Outras não mereciam nenhuma recordação. Mas elas também fazem parte da minha casa, do meu templo. Cada gota de lágrima. Cada pingo d’água. Telhado. Buraco.Conserto. Rebocos. Fui eu que fiz. Sou eu que posso olhar com carinho pra cada parte. Que posso amar. E dizer que suportei sopros incessantes do “Grande Lobo Mal” que pode ser a vida e as pessoas. E as vezes nosso pecado é tão inocente… quantas vezes nos perdemos no meio de tudo? Quantas nos ferimos ou ferimos alguém? Pelo prazer de sustentar nossa vaidade e orgulho. Mas somos tão inocentes. Tão ignorantes. O abajur tá ali na cômoda iluminando tudo e eu não vejo. Fechamos os olhos, porque a luz é tão forte que machuca. Abdicar do conforto!? Pra quê? Eu prefiro me conformar com essa vida mais ou menos. Com esse gole barato de uma merda de cachaça. Amanhã é outro dia, nós dizemos. Outro dia vem e damos com a nossa cara de panaca na privada. ” O banheiro é o templo de todos os bêbados” Um gole de vida é bem-vindo, um gole de cerveja também. Só não vale se perder pra sempre. Ficar na mesma esquina do bar, esperando que tudo aconteça. Pedindo:”Garçom, pelo amor de Deus ouve meus lamentos?” Sei que somos demasiadamente humanos. Mas esse tempo, esse templo que é só nosso, só a gente que constrói.

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